36º Dia: dias de folga são um luxo durante um apocalipse zumbi.

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19 de dezembro de 2014 por bossolon

Campinas. Dia 19/12/2014

Caro diário. Pela primeira vez em dias eu acordei depois das 10 da manhã. O dia está bem claro, mas não posso dizer que está calmo. Nada nunca está calmo no hospital. Os enfermeiros e médicos vivem correndo de um lado para o outro fazendo o possível pra atender os pacientes. Há bastante gente por aqui. A ala que limpamos já está ocupada. Mas pelo menos não tem mais pessoas deitadas nos corredores.

Quanto à noite, posso dizer que dormir numa cama de UTI não é tão confortável, mas considerando que já dormi num chiqueiro quando conheci Derek e os outros, foi uma boa noite.

_ Preciso de mais água no quarto 202! _ Disse uma enfermeira gordinha de pele negra que passou correndo pelo corredor assim que sai pela porta.

_ Parece que acordou. _ Ouvi uma voz feminina e jovem próxima a mim Ao me virar percebi que se tratava de Beatriz.

_ Sim… _respondi _  obrigado por nos hospedar.

_ Não tínhamos como não recebê-los. Nós estamos aqui para salvar vidas afinal.

_ Cof cof _ Ouvi uma tosse vinda do quarto atrás de Beatriz _ Bia?

Da porta do quarto ao lado do meu, com uma mão escorada na parede e outra segurando um cabo de metal do qual na ponta pendia uma bolsa de soro, surgia uma pequena jovem com a cabeça raspada vestida numa roupa de paciente. A jovem é muito magra, de pele pálida e parece bem frágil. Andava descalça como a maioria dos pacientes ali. Ao ouvir a garota Bia se virou e seguiu em direção a ela.

Da porta do quarto ao lado do meu, com uma mão escorada na parede e outra segurando um cabo de metal do qual na ponta pendia uma bolsa de soro, surgia uma pequena jovem com a cabeça raspada vestida numa roupa de paciente.

“Da porta do quarto ao lado do meu, com uma mão escorada na parede e outra segurando um cabo de metal do qual na ponta pendia uma bolsa de soro, surgia uma pequena jovem com a cabeça raspada vestida numa roupa de paciente.”

_ Lu! O que fazendo de pé? _ Disse Beatriz indo em direção a garota.

_ Seu Moacir não responde… acho que morreu _ Disse a jovem

_ Precisa de ajuda? _ Perguntei ao me aproximar.

_ Fique com a Lu, vou checar seu Moacir.

Fiquei então perto da garota enquanto Batriz ia até uma das camas no quarto checar um idoso que estava ali na cama sem se mover. Da distancia em que eu estava já era possível ver que o velho estava branco como um fantasma. Beatriz ouviu seu coração com o estetoscópio, mas o resultado já era esperado.

_ Pode me fazer um favor? _ Pediu Beatriz para mim _ Chame seu Osvaldo e Catarina. Eles estão numa sala seguindo esse corredor. Está escrito Clinico geral na porta.

Segui então pelo corredor até chegar a uma sala que estava com a porta fechada escrito Clinico Geral. Bati na porta e ouvi a voz autoritária de Catarina dizendo para que eu entre. Ela se sentava em uma cadeira atrás de uma mesa de metal enquanto Osvaldo se sentava na cadeira em frente.

_Desculpe interromper, mas… acho que um senhor acabou de morrer em um dos quartos…

Os dois se entreolharam aflitos.

_ Qual quarto? _ Perguntou Osvaldo se levantando da cadeira.

_ No quarto ao lado do meu… _Respondi _ Onde tem uma garota com a cabeça raspada

_ É o quarto da Lucinha. _ disse Catarina.

_ Eu cuido disso _ Disse Osvaldo _ Vamos garoto.

Seguimos de volta pelo corredor. Osvaldo pegou uma daquelas macas com rodas que estava no meio do corredor, daquela que se transporta doentes.

_ Vem! Me ajude a colocá-lo na maca! _ Pediu Osvaldo _ Pegue nas pernas.

Pegamos cada um de um lado e colocamos o velho na maca. Muitos pacientes curiosos estavam na porta para ver o que acontecia. A medida que saíamos com o velho os pacientes abriam caminho. Uns com a cara triste, outros parecendo sem esperanças… Beatriz cuidou de encaminhá-los de volta para os quartos enquanto saiamos com o corpo.

O velho parecia bem fraco. Com aparência por volta de 80 ou 90 anos. Me surpreende que tenham conseguido mantê-lo por tanto tempo no meio desse caos. Levamos o corpo do velho para fora tivemos que enterrá-lo. Terminamos quase na hora do almoço.

O almoço daqui era bem diferente do que o da fazenda. Raquel estava ajudando na cozinha, mas mesmo assim era horrível. O hospital não tem muitos recursos, então carne é para poucos. Alem disso, os alimentos eram destinados de acordo com quem mais precisa. Os mais doentes ou em estado grave recebem os que contém mais nutrientes. Após o almoço, Catarina nos chamou para conversar e explicar como as coisas funcionavam ali.

Aparentemente, se quisermos ficar, devemos trabalhar e ajudar.  Trabalho nunca para por aqui. Sempre tem alguém tendo convulsões, desmaiando, tendo um surto ou precisando de ajuda. Devemos nos dedicar a cuidar dos doentes e mais necessitados.

_ Victor me falou bastante sobre vocês. Bem.. na verdade não muito, porque o rapaz é bem reservado. _ Disse Catarina _ Mas parece que alguns de vocês são policiais e vocês estão acostumados a esse mundo.

_ Perfeitamente _ Disse Derek _ Eu e Tonny somos policiais. Muitos dos outros aqui também são treinados.

_ Ótimo. Talvez precisemos de vocês. _ Disse Catarina e em seguida apontou para Osvaldo _ Esse é Osvaldo. Ele é o chefe da segurança aqui. Recentemente tivemos muitas perdas de membros da segurança. Além de ajudar como podem os doentes, ele será seu superior. Tudo que ele precisar vocês farão.

Concordamos e Catarina continuou

_ A mulher que tem um filho… bem você pode se dedicar a seu filho, mas gostaria que ficasse sob a supervisão de Beatriz. Raquel ficará na cozinha, ouvi dizer que é boa cozinheira. Mas tome cuidado com seus braços queimados. Quem é o pastor?

_ Sou eu _pronunciou-se Felipe

_ Bem…. você pode ser bem útil aqui. _ Disse Catarina _ Muitos aqui já estão quase sem esperança.. Será que você pode dirigir um pequeno culto durante as tardes? Isso pode ajudar…

_ Sem duvidas! _ Disse Felipe

_ Senhora _ Disse Antonio antes de sermos dispensados _ Sei que você é a chefe, mas acho que seria bom falar que o garoto aqui _ Bateu nas costas de Mateus _ É cheio de idéias pra essas coisas de zumbis.

_ Bem… eu só me inspiro nos quadrinhos e nas séries _ disse Mateus

_ Bom.. se tiver alguma ideia pode falar com Osvaldo.

Saimos da sala de Catarina e Osvaldo já nos passou algumas tarefas

_ Como podem ver, temos pouca comida e muito pouca água. Desde que a água acabou estamos em crise e não temos muitas pessoas pra ir la fora….

_ Nós já entendemos tudo… _ Disse Derek. _ Pode deixar que eu vou…

Pink e Tonny também se ofereceram. O resto de nós ficamos no hospital ajudando nas tarefas. Tivemos que fazer várias coisas, como limpar o chão onde alguém acabara de vomitar, transportar pacientes, água ou remédios. As vezes Osvaldo nos pedia ajuda para consertar um cadeira de rodas quebrada ou reforçar as portas nos corredores.

Passamos o dia todo ajudando no hospital. Victor passava a maior parte do dia com o irmão ou ajudando Beatriz na sala onde Lucia ficava. Osvaldo nos explicou que a falta de recursos tem prejudicado muito. Sem água ou energia boa parte dos equipamentos não funcionam. Por isso algumas enfermeiras tem que revezar para ficar quase o dia todo bombeando ar para dentro dos pulmões de alguns pacientes.

A situação no hospital está bem crítica. É provável que muitos ali morram. Isso pode fazer com que os outros percam as esperanças. Felipe visitava todas as salas orando e confortando os pacientes. Raquel tentava fazer milagres na cozinha e Fabricia parecia ensinar Miguel a cuidar das pessoas. Vez ou outra, Beatriz ou alguma outra enfermeira nos pedia ajuda com alguma coisa. Todos se ajudavam. Até a pequena Lucia por vezes saia de seu leito pra ajudar alguém na sua sala, mesmo que depois levasse bronca de Beatriz.

_Eu não posso ficar aqui deitada enquanto todos estão trabalhando, não é? _Dizia. Mas a garota parecia tão frágil e fraca que eu tinha que concordar que ela não podia fazer muito esforço.

Derek e os outros voltaram no fim da tarde, antes de escurecer com um caminhão cheio de coisas. Ajudamos eles a descarregar. Derek disse que tem um atacado, um supermercado e um shopping descendo a avenida. Há também um outro shopping perto do hospital.

_ Temos muitos lugares pra coletar recursos _ explicou à Catarina _ Mas vai ser complicado.

_ Por isso nunca mandei ninguém _ Respondeu a chefe do hospital _ Não temos pessoal pra isso e é perigoso.

_ Agora vocês tem! A gente pode fazer isso!

_ Perai.. quando você diz a gente não ta incluindo nós não, não é? Disse Mateus _ Nem morto que eu entraria num Shopping. A ultima vez deu merda

_ Estou incluindo todos nós! E nós vamos onde for preciso!

_ Derek _ Sugeriu Tonny _ Entrar nesses lugares é suicídio. Você sabe… E não temos mais armas. Todas ficaram na fazenda

_ Eu não to nem aí! A gente vai la amanhã! Se você estiverem com medo, então fiquem aqui! Amanhã vou para aquele atacado!

Derek não pode estar falando sério. O lugar deve ter sido saqueado e deve estar cheio de zumbis. Sem armas esse plano era loucura. Mas nós realmente precisamos de comida e água. Só espero que até amanhã alguém pense num jeito de pegarmos os recursos sem corrermos muito risco.

Estou bem cansado. Seria bom descansar por um dia depois da batalha de ontem. Mas vejo que dias de folga são um luxo durante um apocalipse zumbi.

 

Fim do dia 36

Grupo A Lei Hospital
Pr. Felipe (40) Derek (28) Catarina (29)
Antonio (61) Tonny (26) Osvaldo (51)
Mateus (20) Pink (19) Beatriz (21)
Camila (21) Jim (23) Victor (21)
Alan (35) Raquel (24) Gabriel (24)
Fabricia (32) Lucia (17)
Miguel (7)

 


Esse foi o primeiro capitulo do novo arco, pessoal! Provavelmente esse arco se extenderá até 2015 e será mais focado no hospital e questões humanitárias. Mais nas relações e relacionamentos entre os personagens do que nos zumbis. O que pode desagradar aos leitores que gostam de mais ação.  Mas mantenham a calma. Os zumbis ainda estão ai e o perigo sempre está próximo….

Não se esqueçam de comentar e divulgar o trabalho, caso esteja gostando do projeto. Isso é muito importante para que eu continue e melhor. Postem suas criticas e sugestões nos comentários.
e não se esqueça de curtir a página no facebook pra ficar por dentro de novidades!

Outra coisa: Estou começando a arriscar uns traços pra colocar imagens. Assim como fiz com esse capitulo. Nem todos terão, mas sempre que possivel colocarei imagens assim. Porque convenhamos… aquele bonequinho com o inventário não passava seriedade alguma para a série.

Obrigado por lerem!

 

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