38º Dia: Tudo depende do ponto de vista

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21 de dezembro de 2014 por bossolon

Campinas. Dia 21/12/2014

Caro diário. Novamente tive pesadelos. O hospital estava tão escuro que eu não conseguia ver nada. De repente zumbis começaram a vir em minha direção. E os zumbis eram todos meus amigos. Quando sai para a luz do sol, Xico e seus homens estavam me esperando armados… Eu acordei logo após Sheila acertar minha cabeça.

Eram cerca de 5:00 da manhã… Esperei na cama por um tempo olhando para o teto. Confesso que estava com medo de sair do quarto naquela escuridão. Fiquei na cama até o céu começar a clarear. Sai do meu quarto e fui até o quarto ao lado onde Lúcia já estava acordada.

_ A que horas você acorda? _ Perguntei entrando no quarto.

_ Acordei a uns 5 minutos _ Disse a garota deitada em sua cama.

Sentei-me ao lado de sua cama e fizemos companhia um ao outro até que Beatriz chegasse. Dessa vez tive coragem de perguntar o que ela tinha.

_ Câncer de mama _ Respondeu _ Parece que é raro entre jovens…

_ Deve ser difícil pra você… no meio de tudo isso

_ Nem tanto… Eu ainda tenho esperanças… o câncer estava diminuindo quando a energia acabou…. _ Parou um pouco e pensou _ É como o Pastor disse. Eu sou uma escolhida de Deus… Eu acredito nisso.

Depois que Beatriz chegou eu sai para deixar a moça trabalhar. Acredito que de todas as pessoas desse hospital, Lúcia é a mais incrível. Não porque tem câncer… Mas em sue modo de pensara, ela não faz disso exatamente uma doença. Enquanto todos aqui parecem enjoados, fracos e sem esperanças, ela não. Ela é diferente.

Segui pelo corredor até a cozinha para tomar café. Mateus, Pink e Jim já estavam la. Sentei-me com eles enquanto Raquel servia-me café de forma mais rápida que qualquer padaria às 7 da manhã. Ela também se sentou conosco.

_Então… como tem sido as coisas? _ Perguntou enquanto se sentava conosco apoiando seus braços queimados sobre a mesa.

Muitos se importariam de comer olhando para os braços queimados de Raquel, mas não era nosso caso. Depois que você vê tantas coisas num apocalipse zumbi, principalmente num hospital, não perde o apetite tão facilmente.

_ Estão indo bem, respondeu Mateus _ Osvaldo está pensando em fazer um buraco na tampa dos galões e colocar uma tela, para filtrar os resíduos que vem da água da chuva e da calha.

_ Bem… quanto a mim _ Disse Jim _ aparentemente já posso começar a trabalhar, mas Pink não quer que eu saia…

_ Você ainda não pode fazer muita força com o braço. _ Respondeu Pink _ E eu não quero mostrar meus peitos pra você tão cedo, queridinho.

_ Querida, eu não sei se você cuida de mim porque me importo ou porque se importa com seus seios…

Pink mandou um beijo no ar para Jim enquanto se levantava. Seguiu pra saída do refeitório, mas antes deu-me um tapinha nos ombros.

_ Derek tá conversando com Catarina. Parece que a gente vai ter trabalho essa tarde.

Terminei meu café e me juntei a eles na sala de Catarina. Derek e ela pareciam estar discutindo sobre algumas coisas.

_ Eu estou dizendo que tem muitos zumbis no resto do hospital e provavelmente muitos na faculdade aqui ao lado! Sem contar que essa avenida é bem movimentada! _ Gritava Derek

_ Isso não importa! Fortificamos as entradas! Estamos seguros! _ Respondia Catarina quase no mesmo nível.

_ Isso não vai segurar contra uma horda liderada por um blooder! _ Respondeu Derek _ Sair daqui é a razão sensata pra qualquer um!

_ Eu não vou deixar essas pessoas aqui! Você não é obrigado a ficar aqui! Pode ir embora quando bem entender!

_ A maior parte dessas pessoas vão morrer e não são por causa de zumbis!

Essa ultima afirmação de Derek foi o suficiente para que Catarina virasse um tapa na cara do policial. Tonny e eu nos colocamos entre os dois afastando Derek da médica-chefe.

_ Você tá dizendo pra ela abandonar essas pessoas? Ficou maluco? _ Perguntei

_ Ah! Na fazenda tudo bem pra você nos deixar na mão. Agora pra esses doentes sem esperança você quer ficar?

_ Isso não tem nada a ver, Derek _ disse Mateus que também estava na sala _ Essa gente precisa de nós! E nós também ficamos quando você precisava, não é?

_ Que seja! Mas essa droga de lugar não vai ficar de pé por muito tempo! _ Respondia Derek enquanto saia da sala seguido de Tonny.

Minutos depois, Antonio e Osvaldo entravam na sala de Catarina perguntando o que havia acontecido. Explicamos rapidamente o que aconteceu e ambos tomaram o lado de Catarina imediatamente.

_ Mas se o caso for a defesa, realmente temos que melhorar… e acho que sei como _ Falou Mateus

_ Aí está ele! Nosso gênio do apocalipse zumbi! _ Gritou Antonio

_ Eu estava pensando… temos aquela loja de materiais para construção…. O lugar onde o hospital está é até bom… Podemos pegar alguns materiais e construir algum muro no estacionamento. Fazer barreiras e até tentar colocar um portão. Osvaldo, você entende dessas coisas?

_ Claro que entendo! É fácil até.

_ Eu também entendo muito de construção, rapaz! _ Acrescentou Antonio _ Podem contar comigo!

_ Ok… também tenho pensado. A gente pode fazer uma barreira com carros igual a que fizemos na igreja outra vez…

Depois de combinarmos tudo já tínhamos nossos a fazeres de hoje. Ir até a loja de construção trazer materiais. Depois fazer uma barreira com os carros. Ainda tínhamos que cuidar dos zumbis nas outras alas do hospital e na faculdade, mas por enquanto isso é o que podíamos fazer. Mas isso viria depois. Teríamos primeiro que trazer água.

Ao sair da sala de Catarina me deparei com Fabricia que ajudava uma enfermeira. Conversamos um pouco, pois eu teria que ir em breve. Como sempre, Fabricia estava preocupada sobre sairmos, mas não questionou muito. Com tanto trabalho a se fazer no hospital, não temos conversado muito.

Saímos então no caminhão, Eu, Pink, Camila, Antonio, Mateus e Victor. Victor teve que deixar seu irmão aos cuidados de Beatriz, pra se juntar a nós, pois Tonny e Derek saíram depois da discussão. Pegamos um caminhão e saímos à procura de uma loja que venda galões de água. Não foi tão difícil encontrar. Há algumas espalhadas pelos bairros.

Para carregar o caminhão que não foi tão fácil. Galões de água são pesados e, como não temos armas a longa distancia além do arco e flecha de Antonio, por vezes tínhamos que parar para cuidar dos zumbis. Pink, Camila e Mateus ajudavam Antonio enquanto eu e Victor carregávamos os galões.

Mateus cortava a cabeça deles com uma espada e Pink usava a arma favorita de Nolan: um taco de basebol com arame farpado. Ela batia nos zumbis com toda a força, Mas Pink sempre foi melhor atiradora do que de combate. Assim, ela deixou os zumbis por conta de Antonio, Camila e Mateus e veio nos ajudar a carregar galões. Em uma hora havíamos lotado o caminhão e limpado boa parte da loja.

Retornamos ao hospital mal conseguindo espaço no caminhão. Assim que voltamos cuidamos de descarregar. Mateus, Camila e Pink se encarregaram de pegar uns carros para fazer a barreira que Mateus falou. Não é difícil encontrar carros na John Boyd Dunlop. E esse projeto ajudava a limpar a avenida para melhor nos movimentarmos (geralmente temos que costurar pelos carros abandonados.

Durante o almoço conversei com Felipe sobre os pesadelos. Ele me disse que de fato era um peso muito grande. Disse que eu poderia orar e pedir perdão por esse pecado. Segundo Felipe, Deus perdoa quando estamos realmente arrependidos e parece que eu estava.

_ Eu não sei… Se Deus é tão bondoso, porque esse monte de coisas acontecer? Por que perdemos tanto? E hoje estamos comendo essas comidas e vivendo nesse hospital perto da morte.

_ Meu caro… Nem tudo é culpa de Deus. Nós pedimos que ele se afastasse de nossas vidas e ele respeitou isso. Não foi Deus quem colocou Xico e Derek um contra o outro, mas o orgulho deles. Não foi Deus quem deixou alguns de nós loucos ou egoístas, mas nossos medos. Mas sabe… _ Continuou _ Deus é um grande cara! Ele sabe muito bem como transformar o que é ruim em bom, se deixarmos. As vezes parecem que as coisas são ruins. Mas eu te digo: Tudo depende do ponto de vista. Você só precisa olhar as coisas do ângulo certo.

Depois do almoço abastecemos o tanque do caminhão e de um carro com gasolina e diesel de outros carris e ônibus abandonados e fomos até a loja de materiais para construção. Como já tínhamos limpado ontem, não tivemos que lidar com muitos zumbis. Carregamos o caminhão com cimento, gesso, e sacos de terra. Só então percebemos que ali não tinha pedra. Antonio disse que não se vende pedra assim, só por encomenda. Mas provavelmente teria alguma construção próxima que teria pedra.

Saímos de lá a procura de uma construção. Não era difícil encontrar, já que o bairro estava em crescimento. Carregar pedras foi ainda mais difícil. Enchíamos o carrinho de mão e subíamos uma rampa de madeira até o caminhão. Levamos a tarde toda para carregar. Antes de escurecer saímos Amanhã voltaremos e pegaremos mais pedras.

Voltamos para o hospital Por volta das 17:00. Mas não descarregamos tudo imediatamente. Estávamos cansados e, de qualquer forma, não começaríamos a construir hoje. Então apenas fomos jantar. Pela primeira vez acho que comi a comida do hospital e gostei. Acho que por causa da fome ou Raquel realmente estava fazendo um bom trabalho.

Antes de escurecer ouvimos um caminhão chegando. Saimos para ver quem seria. Derek e tonny chegavam com o caminhão fechado do exército.

_ Sentiram falta de armas? _ Disse Derek descendo e abrindo a parte de trás do caminhão onde haviam armas e caixas com munição.

_ E como eu senti! _ Disse Pink indo ao caminhão e pegando uma metralhadora. _ Onde pegou?

_ Um pouco na escola de cadetes e um pouco numa delegacia de polícia. Parte dessas armas são apreendidas. _ Respondeu Tonny

_ Então… acho que vão ficar… _ Disse Catarina que se aproximava.

_ Se vamos ficar, temos que cuidar da segurança direito…. _Disse Derek _ Com essas armas, podemos limpar as outras alas e dar um jeito em quem se aproximar.

Começamos a descarregar, mas não terminamos, pois começava a chover, por volta das 18:00. A chuva não durou muito tempo, mas foi o suficiente pra nós. Estávamos com medo de não chover, mas choveu no fim da tarde. A chuva trouxe o frio e provavelmente choverá mais. Esperamos que isso encha os barris de água. Além de termos muitos galões disponíveis. Os materiais para construção também estão de prontidão para começarmos e agora temos armas para nos defenderemos. A comida parece estar melhor. Agora só precisamos nos preocupar com o cheiro ruim.

À noite me juntei a Lúcia, Victor e Gabriel. Aparentemente eles conversam todos os dias nesse horário. Não demorou muito para Pink e Jim se juntarem a nós com o violão. Então Camila, Mateus e, por ultimo, Fabricia, após colocar Miguel para dormir.

_ Quando teve o ataque.. _ Disse Fabricia enquanto sentávamos próximos no chão do quarto 104 de Lucia_ Eu pensei que você não voltaria mais.

_ Por um momento eu também… _ Parei um pouco antes de continuar_ Mas eu voltei. Eu to aqui. E vou sempre voltar pra vocês.

Fabricia apenas sorriu. Eu sei que nossa relação esta complicada e bem.. tem muitas coisas acontecendo, mas me permitir passar os braços por ela e aconchega-la perto de mim. E ela permitiu também.

Apesar de todas as coisas, o dia foi muito bem…. Estamos nos acostumando às coisas no hospital. É como o Pastor disse no almoço. As coisas podem ser boas ou ruins dependendo do modo como olhe. Eu sempre penso que meus pesadelos tem sido uma maldição. Mas a companhia de Lúcia pela manhã é uma benção. O hospital é realmente ruim. Mas trabalhar ao lado dos outros é ótimo. E esses momentos. Ouvindo e cantando com meus amigos. Esses momentos em que tudo parece bem. Isso compensa o dia inteiro.

Isso tudo pode ser o fim do mundo. Ou o começo de um mundo novo. Tudo depende do ponto de vista.

Fim do dia 38.

Grupo

A Lei

Hospital

Pr. Felipe (40)

Derek (28)

Catarina (29)

Antonio (61)

Tonny (26)

Osvaldo (51)

Mateus (20)

Pink (19)

Beatriz (21)

Camila (21)

Jim (23)

Victor (21)

Alan (35)

Raquel (24)

Gabriel (24)

Fabricia (32)

Lúcia (17)

Miguel (7)

mapa


Fala Galera! Se gostaram do capitulo compartilha e comenta pra dar aquela força. Comentem também suas críticas e sugestões!

Att.

Marcos Bossolon

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