47º Dia: Do dia dois não passa!

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30 de dezembro de 2014 por bossolon

Campinas. Dia 30/12/2014

_ Eu corri para uma sala vazia e me tranquei esperando que o caos acalmasse _ Disse Pink pela manhã no quarto 104 para quem estava acordado, no caso, eu, Lucia e Gabriel. _ Os zumbis tentaram bater, mas eu fiz barricadas com as macas e tentei ficar fora da visão deles, para que desistissem.

_ E desistiram? _ Perguntou Lúcia intrigada

_ Demorou um tempo, mas desistiram sim.

_ E como matou aquele que você trouxe a cabeça? _ Perguntou Gabriel apressadamente.

_ O blooder? Calma. Já chego lá. _Respondeu Pink e continuou sua história _ Eu abri a porta com cuidado. Os blooder podem fazer armadilhas, vocês sabem?

_ Fazem armadilhas? _ Perguntou Lucia que nunca tinha realmente enfrentado zumbi algum _ Eles não ficam só andando feito moribundos até encontrarem uma vítima pra morder?

_ Nem todos. _ Expliquei _ Esses são mais comuns, mas há outros tipos. _ Lúcia franziu a testa e achei melhor explicar a garota como os dividíamos. _ Os normais são esses moribundos. Há os que não tem partes e por isso se arrastam, são menos perigosos. Mas há tipos mais perigosos. Os corredores são aqueles que podem correr. São complicados, porque eles podem ficar andando como os outros e então começar a correr do nada.

_ Parece assustador _ Disse Lúcia.

_ E é… _ respondi _ Bem… você se acostuma com eles. Mas também tem os blooders, esses são mais raros ainda. Mas mais perigosos. Eles podem raciocinar um pouco, como um animal. Eles armam emboscadas, sabem desviar e evitar o perigo, e também comandam outros zumbis.

_ Eu não imaginava que existisse esse tipo de coisa! _ Disse Lúcia arregalando os olhos _ E tinha um desses la dentro?

_ Sim _ Respondeu Pink sorrindo com o canto da boca_ Mas eu cuidei dele.

Lúcia retribuiu com um sorriso de admiração por Pink que continuou sua história.

_ Eu sai cuidadosamente da sala, ainda haviam zumbis no corredor, mas nem sinal da presença do blooder. Acho que ele nem nos perseguiu desde o começo.

_ E o que fez? _Perguntou Lucia

_ Eu precisava economizar munição e não queria chamar atenção, então puxei meu facão e resolvi cuidar deles no mano a mano, tomando cuidado com os corredores. No começo pensei em voltar para onde estava a corda, mas quando cheguei em um corredor no caminho espiei pela parede e vi que tava lotado.

_ E o que você fez? _ Perguntou Lúcia que agora estava interessadíssima na história. _ Não enfrentou eles todos, enfrentou?

_ Não… não sou tão maluca. _ Respondeu Pink com uma risada_ Eu dei a volta e procurei por outra saída. Tudo sempre tentando ser sorrateira e evitando ser vista por zumbis. Cheguei até uma saída dos fundos do hospital. E lá eu vi o blooder.

Lucia agora olhava para Pink com os olhos arregalados. Estava claro que ela estava completamente envolvida na história, como quando se está assistindo a um filme e está em seu clímax, ou quando se lê um livro muito bom.

_ Para minha sorte o blooder não me viu_ Continuou Pink_ Mas parecia que ele estava no comando dos outros. Agora… tem outra coisa dos blooders que é interessante: Quando você mata um desses, os zumbis em volta que estavam sendo controlados ficam desnorteados por um tempo… alguns segundos ou minutos, varia de um para o outro. E é com isso que eu contava. Me escondi entre duas macas para não ser vista nem pelo blooder e nem pelas costas e preparei minha arma.

Ao que parece, Pink se contagiou pelo animo de Lúcia e contava sua história de forma animada também. Interpretando, com movimentos das mãos como se armasse uma metralhadora invisível e mirasse.

_ Então… Bang! _ Disse fazendo o movimento com as mãos e em seguida bateu com o dedo na própria cabeça, como se simulasse a bala entrando na cabeça do zumbi _ Bem na cabeça do blooder!

_ Demais! _ Gritou lúcia pulando na cama de excitação, o que fez com que Victor acordasse e Lúcia tivesse que se desculpar.

_ Pois é. Mas eu não podia cantar vantagem na hora. _ Continuou Pink _Eu tinha que chegar a porta do outro lado enquanto os zumbis estivessem atordoados. Então corri o mais rápido que pude pelo corredor. Cortando a cabeça dos zumbis pelo caminho com meu facão. Mas antes de sair eu tinha que pegar o prêmio. Me abaixei e rapidamente cortei fora a cabeça do blooder. Quando eu levantei, alguns zumbis já tinham voltado a si. Então tive que correr para a saída matando todos que entravam na minha frente. Sai pela porta e fechei atrás de mim, mas tive que enfiar o facão na cabeça de alguns que conseguiram alcançar a porta antes de eu fechar. E foi assim que eu sobrevivi!

Lúcia e Gabriel aplaudiram a história com ânimo. Não pude deixar de acompanha-los, já que Lúcia olhava para mim sorrindo esperando que eu batesse palmas também.

Depois da história, Pink acordou Jim. Então eu, Pink, Jim e Victor fomos tomar café da manhã, Gabriel e Lúcia comiam no quarto. No café Pink teve que contar a história de novo para todos.

Mas foi na sala de Catarina que a informação mais importante veio. Aquele zumbi que Pink matou não era o mesmo que tínhamos visto no corredor. Primeiro, ele estava do outro lado do hospital. Segundo, a fisionomia era diferente. Terceiro, era um dos médicos do hospital e o outro era um paciente. Catarina o reconheceu.

_ É o Dr Carlos. _ Disse Catarina e olhando melhor dava para ver que o médico tinha cerca de 40 anos e cabelos grisalhos, lisos e não tão curtos, o que era diferente do outro que tinha cabelos negros e bem curtos. _ Ele foi o primeiro a se infectar quando trouxeram os primeiros casos. Ele foi mordido por um dos pacientes. E vimos ele se transformar.

_ Pera _ Disse Derek _ Tonny matou um blooder da outra vez. Ontem vocês viram mais um e o que Pink matou é outro. Quer dizer que existiam, pelo menos três blooders nesse hospital?

_ Existiam _disse Catarina _ Agora só tem um.

_ Só tem um PELO MENOS, não é? _ Completou Tonny _ Até onde eu sei, pode haver mais.

_ Muito bem! Já chega de nos segurar! _ disse Derek _ Vamos começar a limpar esse hospital!

_ Okay…. _ concordou Catarina_ Mas esperem o começo do ano… não quero que esses dois últimos dias do ano, os pacientes passem ouvindo tiros e lembrando dessas coisas…. por favor….

Por incrível que pareça, Derek pareceu concordar.

_ Logo no dia primeiro! _ Disse entre os dentes _ Do dia dois não passa! Então vamos começar a limpar aquele lado!

_ Doutora_ disse uma voz atrás de nós, e quando viramos vimos que era Luiz _ Estou com dores… será que não pode me arrumar alguma coisa para…

Mas Luiz foi interrompido por Derek que avançava em sua direção

_ Escuta aqui, seu viciadinho!

Derek, por sua vez, foi interrompido por Catarina que se levantou e o segurou

_ Você cuida da limpeza do hospital, mas quem está no comando dos pacientes ainda sou eu! _ Disse Catarina em tom de censura e em seguida foi com Luiz _ De trabalhos a eles _Disse a Osvaldo quando saía.

Como era arriscado subir no telhado de novo pelo risco de cair, resolvemos deixar as garrafas que sobraram lá, até limparmos o hospital. Passei o dia com Pink, Jim e Alan purificando a água, enquanto Derek, Camila e Tonny auxiliavam Mateus, Antônio e Osvaldo no muro. Victor ficou ajudando seu irmão, Bia e os pacientes. Miguel veio nos ajudar durante a tarde e Pink teve que recontar sua história para ele. Suspeito que ele inventou de nos ajudar só para ouvir a história.

Durante a noite ficamos no quarto 104 tocando violão e conversando como sempre. Pink não contou mais sua história. Primeiro porque ela não aguentava mais e segundo porque todos ali já tinham ouvido. O ano novo está chegando. E estamos fazendo planos para comemorar de alguma forma. Nem que seja de uma forma bem singela.

Fim do dia 47

103 104 105 Resto do hospital
Derek (28) Lucia (17) Dario (23) Catarina (29)
Tonny (26) Victor (21) Mateus (20) Osvaldo (51)
Antonio (61) Gabriel (24) Camila (21) Beatriz (21)
Pr. Felipe (40) Pink (19) Fabricia (32) Luiz (24)
Raquel (24) Jim (23) Miguel (7)
Alan (35)
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